I love to write. I love to let my fingers hit the keyboard or hold a pencil, a pen and just write. Over the years, I wrote endlessly. I kept in boxes thousands of papers with scribbled moments. I finally have the time to write free of working schedules.I retired.I feel there is a writing world waiting for me to discover. With this Blog I intend to Write. Do I have what it takes to write? I will find out through the eyes of all of you. The people reading my blog.Thank you
Thursday, 4 January 2024
Acho que aquele fulano roubou algo á senhora …
O dia estava bonito. Era pelas 4 da tarde .
Estávamos em Paris há quase uma semana. Já tínhamos visto muito, e, com os joelhos a gemer chegámos em frente á Torre Eiffel. Tinham-nos dito que aquele local ali mesmo do outro lado da ponte era ideal para fotografias. O rio Sena,a ponte direitinha á Torre ... lindo enquadramento.
Para meu desapontamento, o meu telefone , estava sem baterias e eu tinha-o arrumado na mochila . Como gosto sempre de tirar fotos com o meu maridinho em lugares bonitos que visitamos , pedi-lhe o telefone.
O meu telefone , tinha uma corrente que segurava o telefone ao pulso. O meu marido achava que não era preciso andar acorrentado. Deu-me o telefone para a mão. Eu quase que tirei a minha corrente para pôr no telefone dele, mas , teria que abrir a mochila ali no meio da multidão . Achamos que não seria boa ideia.
Sendo assim , pus-me a tirar fotos, feliz por estar num sítio tão bonito .
O Iphone do meu marido estava com bastante bateria e até aproveitei para filmar . A minha Gopro também estava sem bateria e eu teria que parar para mudar a bateria se a queria usar para fazer umas filamagens. Muito complicado para quem estava cansada e ainda por cima sem lugar privado para mudar baterias, abrir mochilas etc.
A multidão era enorme. Gente de todas as etnias e com falar e vestir diferente. Todos contentes por estarem ali, em Paris, a tirar fotos ao rio Sena e á Torre Eiffel . Como o dia estava lindo, tínhamos pensado ir a pé ao longo do rio Sena até ao Museu do Louvre. Contudo, as pernas estavam a ficar pesadas , e, como estávamos mesmo ao pé da paragem de autocarro resolvemos apanhar o autocarro que estava mesmo a parar ali. Havia muita gente na paragem. O autocarro já vinha cheinho. Eu preferia ter esperado por outro. Meu marido insistiu em irmos naquele. Afinal se queríamos tomar vantagem do último dia lindo e ir ainda a outros sítios seria melhor apanhar o autocarro. Acabei por concordar.
O autocarro era mesmo sardinha em lata . Com muito empurrão lá entramos. Eu, e um senhor bem parecido que subiu a escada do autocarro ao mesmo tempo que eu, ficamos em pé ao lado do motorista. O meu marido nas escadas coladinho á porta. Na paragem seguinte, a porta abriu e meu marido teve que sair do autocarro para o fulano bem parecido que estava mesmo coladinho a mim se puder esquivar e sair do autocarro.
Logo que ele saiu, muito apressado, uma senhora que estava com o marido e o filho sentada na primeira fila do autocarro diz alto : “ Acho que aquele fulano roubou algo á senhora. “ e ao dizer isso ela olhou para mim. Eu, fiquei primeiro sem saber se ela estava na realidade a falar comigo. Surpresa por ouvir uma voz desconhecida a dirigir-se a mim em português , e ainda por cima num autocarro em Paris e para além disso a falar de um roubo respondi
meia atarantada : “ Desculpe a quem se refere ? ” A mim ? Não . Eu tenho a carteira aqui á frente, e, os meus bolsos todos tēem fechos… ” e enquanto respondia , olhei muito naturalmente para as outros passageiros ao meu lado, que olhavam todas para mim.
E a senhora portuguesa tornou a insistir: “ É melhor ver bem. Eu quase que jurava que quando a senhora se mexeu para dar espaço para ele passar , o sacanita pôs a mão no seu bolso e por isso estava apressado a sair! São uns sabidōes . “
Eu, ainda surpresa com todo este desenrolar de acontecimentos, abro o fecho do meu colete, meto a mão … o telefone não estava lá. O telefone do meu marido tinha sido roubado.
Fiquei sem pinta de sangue. Até parecia que me ia dar uma coisa ali mesmo no autocarro. Faltava-me o ar. É que o telefone do meu marido era o que tinha os nossos passes de EuroRail... Tínhamos que contactar o Eurorail o mais rápido possível. No dia seguinte, partíamos de Paris de comboio para o próximo destino. A viagem ainda só ia a meio…
O homem, o ladrão , entretanto, desapareceu no passeio ao lado do autocarro.
Quem diria! Um homem de cabelos brancos, muito bem posto era afinal um ladrão em Paris!
Parámos na próxima paragem. Os joelhos tremiam-me . Eu toda tremia de raiva , furiosa por ter confiado na aparência do dito cujo senhor de cabelo grisalho e bem posto. O meu marido não estava nada preocupado, e, assegurou-me que eles não conseguiam entrar no Iphone. A calma dele acalmou-me. Fomos á procura da esquadra da polícia. Encontrámos. Estava vazia. Só um polícia. Lá contamos o conto que eles ouvem todos os dias, a toda a hora. Quando lá estávamos, entrou outro turista furioso a reportar terem roubado a mala do quarto. Tinha acabado de chegar, deixado a mala no quarto para ir comer qualquer coisa. Quando voltou, meia hora depois, a mala que ainda nem tinha sido aberta, tinha desaparecido. Mais uma vítima . Um turista, que como nós prossivelmente esperou uma vida para ver Paris, ficou com uma nódoa nas memórias das férias em Paris.
Já não pudemos continuar a ver Paris naquele dia. Tivemos que ir para o hotel resolver o assunto dos nossos passes de comboio. Como o telefone era Iphone, os larápios não tiveram acesso á informação. Dias depois, vimos o ping do GPS do telefone numa povoação no meio do nada na Algéria , Norte de Africa. Foi para lá que o telefone foi enviado. Acabou por viajar muito mais do que nós alguma vez pensámos.
O sistema de passe da Eurorail é fantástico . Num instante, foi tudo transferido para o meu telefone. Continuamos viagem, mais atentos do que nunca ao telefone. Todo o resto da viagem esteve sempre agarrado a mim com a corrente que sempre tinha usado desde o início da viagem.
A viagem a Paris jamais será esquecida.
Smile
VS
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